sábado, 28 de agosto de 2010

Perdida, Amália.

Amália cuidou de um passarinho durante alguns meses. Em alguma segunda feira do ano, acordou e sentiu um aperto no peito, o motivo por mais tolo que possa parecer era concreto e certo, ela estava prendendo uma vida, vida essa que aprendeu a se contentar com o conforte de uma gaiola, mesmo já tendo percorrido todo o horizonte.
O aperto foi aumentando, e quando percebeu já tinha virado um nó, e Amália sabia que um nó quando é bem dado só se desata quando cortado. A gaiolinha foi aberta, para alivio de Amália.
Poderia estar escrevendo sobre a grande nobreza de Amália, ou sobre como o pássaro ficou feliz em poder bater as assas pelos ares, mas isso é muito obvio diante do fato de o pássaro não ter saído correndo, ou melhor, voando da gaiola. Ele não queria ser solto, não desejou em nenhum único dia a liberdade, ele ficou lá parado olhando para a porta aberta, e não saia.
O nó no peito de Amália, não sumiu, mesmo depois de ter tirado o passarinho da gaiola, o nó só aumentou, Amália tinha tido sua primeira teoria concreta sobre a vida, e é sobre ela que vale apena escrever.
Ela concluiu, sem muito pensar, somos exatamente iguais aquele pássaro preso na gaiola, somos completamente e desesperadamente iguais. Vivemos tanto tempo trancados na mesma gaiola que temos medo de olhar para fora dela, vivemos tanto tempo com os pés fincados no chão que sentimos um pânico do tamanho do mundo quando voamos por dois segundos.
Amália, que não era de ferro e nem bela, chorou, chorou céus inteiros, tinha se acostumado com as suas antigas escolhas, tinha aceitado a sua gaiola, já velha. Amália que não era frouxa e nem feia, resolveu deixar de ser pássaro, resolveu parar de apenas olhar para a porta aberta, resolveu sair do cativeiro.
Querida da Amália, não sabia que não são as portas ou as grades que nos prendem, não fazia a mínima idéia que o que a prendia no mesmo lugar era a comodidade. Porém sair voando sem destino, nem sempre é a melhor escolha, na maioria das vezes é a pior.
Amália, vou apenas lhe dizer uma coisa, o mais difícil não é sair da gaiola e voar por ai, o mais difícil é saber que gaiola te prende, e o porquê desta você não conseguir se libertar. Querida, apenas pare, e escute tudo o que você nunca se permitiu escutar, as vezes é você que se deixa engaiolar.
Nunca é tarde para voar, repito todas as manhas, e para completar penso baixinho, sempre é arriscado voar sem rumo ou cautela.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Só presente, e futuro.

É madrugada, poderia dizer que já passa das três, e a única coisa que me faz pensar é o passado.
Ele não deveria ter esse nome, afinal o passado é sempre tão presente que deveria ter outro nome, algum nome que não deixe brechas para ditados populares, o que passou não passou.
No fundo todos achamos que poderíamos mudar alguma coisa, não podemos, e essa é a real alegria da vida, o que esta feito, esta feito, consumado. Porem, a grande tristeza, é que temos a mania de nos lamentar por alguma escolha que fizemos antigamente.
A alegria é que todas as nossas atitudes nos constroem, a vida é como um castelo de areia que construímos na beira da praia, cada ação é o grão de areia, o problema é que algumas pessoas não se lembram de fixá-lo em terra firme.
O que foi feito, esta feito, e todas as suas atitudes, pequenas ou não, boas ou más, te fazem ser o que você é agora, uma pessoa grande em espírito ou pequena. Não adianta querer tirar o primeiro balde de atitudes que você colocou no seu castelo, ela já esta em um lugar inalcançável.
Não existe passado, só presente, o que você foi não pode ser mudado, porem toda a vez que a onda bate no castelo, traz com ela a oportunidade de construirmos um castelo melhor, mais limpo, organizado. Contanto, os restos do castelo antigo permanecerão no mesmo lugar, para sempre, e com base nele que o novo se forma. Não existe passado, mas existe o futuro.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Nuca amadas.

Olho para elas, procurando achar uma resposta, alguma coisa que me ajude a definir o que sinto. Olho para elas, com raiva, pena, nojo, angustia, descaso. Na maioria das vezes prefiro ficar apenas olhando, não goste de falar com esse tipo de pessoa. Prefiro receber o sorriso envergonhado da faxineira do meu prédio, do que o oi sujo da maioria delas.
O que me incomoda é o fato dessas mulheres se tornarem objetos, e o pior gostarem disso. Elas não notam que já saíram da parte mais alta do balcão, já foram parar no estoque há muito tempo. Não entendo como conseguem ser tão cegas, ao ponto de não se darem conta que ser um objeto de desejo é muito fácil, mas que objetos entram e saem de moda, em um piscar de olhos. Não adianta querida, você ficar pensando em que roupa usar, todos já sabem que vai ser alguma coisa curta, afinal o tamanho do cérebro é medido pelo tamanho da sua saia, mini.
Vocês vivem falando que homem nenhum presta, e que por esse motivo vão encher a cara. Alias, tudo é motivo para beber, para esquecer da prova, do pé na bunda, do vestido que não entrou, mas nunca se deram conta que o que mais querem é esquecer delas mesmas. Esquecer que as vezes ser a que mais dança, não significa ser a mais feliz. Esquecer que o motivo delas acharem que homem nenhum presta, é não saberem procurar
A minha raiva costuma vir daquele velho ditado, uma laranja podre estraga todo o cesto. Porem vocês não estragam todo o cesto, mas fazem parecer que todas as mulheres são iguais a vocês, podres. O meu grande problema, não esta em vocês ou na suas vidas patéticas, o meu problema é os homens generalizarem todas as mulheres e nos colocar no mesmo saco, eu não, eu sou diferente. Sou diferente de você e das suas amigas com risadas escandalosas, copo na mão, cabelo liso, sou diferente de vocês que andam uniformizadas, poderia até apostar que na maioria das vezes se ligam para combinar que roupa usar, porem consigo compreender o seu medo de ser diferente do resto da manada.
Tenho nojo de ser da mesma espécie que vocês, tenho vergonha de ser comparada com o seu tipo de mulher. Sinto vergonha por você, tenho pena de você, que não é mulher, você que é no maximo uma menina, que não sabe o que fazer com as pernas, pelo fato de não saber o que fazer com o coração. Acho que vocês deveriam parar de denegrir a imagem da mulher, parar de reclamar que não existe homem que presta, ou quando for reclamar se lembrar que é o seu tipo de mulher que faz eles não prestarem.
Por fim, sinto pena de vocês, sinto pena de todo o tipo de ser que aparenta ser o que não é. Sinto pena de vocês que já foram muitas vezes usadas, mas nunca amadas, de vocês que já beberam por homens que nunca te ligaram no outro dia. Dos seus olhos, que mostram um vazio angustiante, olhos de bonecas, bonecas que não sabem falar alguma coisa útil, olhos manipuláveis. Tenho pena de vocês ainda não terem se dado conta, que vocês são produzidas em massa, que em todos os anos aparecem no mercado um lote novo de bonecas, menos usadas. Por isso todos os anos inconscientemente vocês diminuem um pedaço da saia. Mas não adianta vocês só têm duas opções, aprender a sentar e a fechar as pernas, ou terminar em uma esquina cobrando por aquilo que costumam fazer de graça.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Notei.

Pensei em trocar a musica que estava tocando, poderia também abrir a janela e olhar as estrelas, respirar alguma coisa mais leve, pensei em trocar de roupa, colocar alguma coisa branca. Mudar de musica, abrir a janela, nenhuma dessas coisas iria me trazer respostas, o branco certamente ficaria cinza, escondido por traz das nuvens de duvidas que pairam a janela do meu quarto.
Sabia que a única coisa que faria as coisas ficarem mais claras perante a sua não resposta seria escrever. Escrevi sem saber como começar, sabia apenas onde iria terminar, tudo sempre termina em você, tudo me leva a você em uma forma irritantemente boa.

Resumindo.

Não me venha com rodeios, meias palavras, palavras sem silabas. Quero palavras completas, fases completas, mas rápidas. Sem rodeios, não quero ver você levar anos para falar o que eu consigo expressar em cinco minutos. Porque esperar você falar o que eu já sei cansa. Realmente prefiro que você fale em cinco minutos, segundos, mas fale e rápido.
Resumindo, ver a sua demora para falar, me faz resumir, e o meu resumo não costuma ser doce.

Minha.

Não sou sua, não sou dele, nem do Zé, muito menos do José, sou minha, só minha. Não me veja como uma boneca de porcelana, uma flor, uma pedra. Não me veja como algo que você pode possuir. Não sou vendida em lote, nem posso ser comprada pelo correio, não me vendo, portanto ninguém me compra, ninguém me tem, sou minha, só minha.
Não sou sua, sou minha. Sou minha, de modo que na pior das hipóteses eu seu um objeto que fala, e fala muito, porem só fala o que quer. Sou minha por isso faço apenas o que desejo, o seu controle remoto não vai funcionar em mim. Sou minha, só minha, pelo simples fato que sou eu a única pessoa que vai me ter para sempre.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saudades.

Sinto falta de muitas coisas, dos tempos de escola, dos amigos que perdi, dos que não fiz, de quando vestia as roupas da minha mãe e andava saltitando pela sala. Mas nada se compara a falta que sinto dela, ou o vazio que paira em mim quando, por exemplo, me lembro da sua plantação de morangos, os mais doces que já comi.
Ela, a saudade vive comigo, mas aumenta de um a forma descontrolada quando fico triste e ela não está lá para me dar colo. Ou quando vejo um passarinho voando, com seu peito amarelo, tenho certeza que ela gritaria para mim ir olhar ele. Mas ela não grita mais, não da mais colo, ou bronca.
Seria tão mais pratico pensar que ela ainda me vê ou me escuta, ou que o passarinho amarelo poderia ser ela, porem eu sei que não. Então convivo com a saudade, dela que não era mãe ou amiga, ela que era um anjo que um dia irei reencontrar.